Eis o poema mais singelo que já recebi...
Quinta essência
Quando acordei, olhei em volta
Estava sozinho naquela cama, fria numa manhã de Verão.
O sol já tinha nascido e o relógio já passava das dez.
O silêncio preenchia-me. o calor escasseava.
já não o tinha. não tinha há tanto tempo.
apetecia-me.
Eis que te insurges lá do céu
Teus cabelos, tão suaves e soltos
Que brilham mesmo que ao luar.
Tua pele, suave e morena,
cor de chocolate, cor de cacau
Que dá sabor e classe à tua alma
Que enche de brilho os meus olhos.
Teus doces e hábeis lábios, tão curiosos e sábios
Encontram nas folhas do meu dicionário
Mil e um excelsos adjetivos de requinte.
Sublimes e perfeitos lábios de pura magia
são a quinta-essência que me faz perder no escuro
teu sorriso ainda que sem noção, contagia.
E esse teu tesouro, escondido num lugar seguro.
Mas a luz dos teus olhos negros, iluminam os meus.
Meus humildes olhos que te contemplam, e que agora são teus.
E no silêncio do teu abraço, dormir.
Para os alquimistas, a quinta-essência é o poder, a qualidade e a virtude de tudo e de cada coisa na natureza. Pode ser considerada como um quinto elemento dentro de toda a matéria. Como tal, ela forma a base a partir da qual fluem os quatro elementos facilmente visíveis: o fogo, a água, o ar e a terra. Circulando de forma muito subtil, penetra em todos os objectos, e, ainda que oculta dentro de toda e de cada substância, pode ser reconhecida. Todavia, os anti-tabagistas mais radicais jamais terão acesso à totalidade da quinta-essência desta fotografia de Jean-Luc Godard e de Anna Karina, tirada em 1961 no dia do seu casamento.


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